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Viagens Ecológicas e Culturais é a primeira coleção com padrão internacional sobre pólos ecoturísticos brasileiros. Fruto de 25 meses de acurada pesquisa e árduo trabalho de campo, o volume Ilhabela representa o mais completo e preciso inventariado da oferta turística e das potencialidades deste arquipélago. 

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Abominável capítulo da história brasileira. Solução cruel para a falta de braços nas lavouras e para a resistência indígena, o sequestro de africanos para serem escravizados no Brasil teve como marco inicial três lucrativas viagens realizadas pelo corsário inglês William Hawkins entre 1530 e 1532.

Estima-se que 3 a 7 milhões de escravos foram trazidos ao país entre 1550 e 1855, gigantesco exército de trabalhadores responsável pelo sucesso dos ciclos brasileiros da cana, do ouro e do café. Até os jesuítas chegaram a ter centenas de escravos.

A escravidão em Ilhabela começou com seus colonizadores, Francisco Ortiz enriqueceu com o tráfico de angolanos a partir de 1608.

Ao final do século XVII, piratas ingleses e franceses propagaram o triste comércio humano na Ilha de São Sebastião*.

A localização e a geografia da Ilha fizeram dela importante porta de entrada clandestina de escravos no Brasil, em especial africanos da cultura banto. Mesmo antes da proibição, traficava-se para sonegar impostos.

O tráfico era feito nos “tumbeiros”, barcos que levavam centenas de escravos espremidos como se estivessem em tumbas. Em viagens desumanas de até 3 meses, cerca de 14 % dos embarcados morriam e os demais viviam por apenas uns 7 anos.

Estudos sugerem que o desembarque era feito em áreas abrigadas do lado oceânico da Ilha, como na grande Baía dos Castelhanos (nas praias da Figueira, Mansa e dos Castelhanos) e principalmente no Saco do Eustáquio, próximo da Fazenda da Laje Preta. Talvez os escravos fossem desembarcados também no Saco das Guanxumas, ainda mais fundo, protegido e perto desta provável fazenda de “engorda”.

Os moribundos que se recuperavam marchavam pela mata até o Canal de São Sebastião para serem vendidos para fazendas do litoral, do Vale do Paraíba e de São Paulo - os incapazes de vencer a serra eram vendidos a preços insignificantes na Ilha. No século XIX existia na Vila um mercado de escravos e um pelourinho.

Em 1854 existiam milhares de escravos em Ilhabela em cerca de 30 fazendas, algumas com centenas. 

Desde 1761, alvarás, decretos e tratados foram regulamentando a escravidão, mas apenas entre 1831 e 1850 é que o tráfico foi proibido. Alguns documentos mostram que após 1850 a Ilha continuou a receber escravos por alguns anos em portos clandestinos.

Em 1888 finalmente a escravidão foi abolida no Brasil, agravando a crise do café e levando mais da metade dos moradores de Ilhabela (muitos escravos) a abandonar o arquipélago no final do século XIX.

 

* Popularmente chamada de Ilhabela, a Ilha de São Sebastião é a maior ilha do Arquipélago de Ilhabela.

| 300 anos de escravidão

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